O Início

O início e o pioneirismo

No ano de 1927, aos 13 anos, chegava ao Brasil o imigrante de origem libanesa Said El-Khatib. Na bagagem, apenas um sonho, o de crescer e explorar a sua nova pátria, um país continental. Desembarcou em Santos e trilhou seu caminho pelo interior de São Paulo até Araçatuba, onde conheceu Maria Munari, de pais italianos, com quem se casou.

Por sempre acreditar na educação, Said El-Khatib construiu e manteve com recursos próprios escolas em muitos dos lugares pelos quais passou. Em 1954, mudou-se para Curitiba, cidade na qual fundou a distribuidora de livros Garantia Cultural. Tratava-se da compra e venda de livros pelo sistema “porta a porta”. Mais tarde, veio a ideia: “Por que não editar os próprios livros?”. Foi aí que, junto com seus filhos Faissal e Faruk, criou a Paraná Cultural, que logo após adquirir uma gráfica própria recebeu o nome de Grafipar Gráfica Editora LTDA.

O primeiro livro a ser publicado pela Grafipar foi a tradução da obra “A Civilização Árabe”, de Gustave Le Bon. Mais tarde, vieram outras publicações, como o Dicionário Cultural da Língua Portuguesa, com mais de cem mil verbetes, A História do Paraná, A História de Santa Catarina, entre outras, todas coordenadas pelo seu primogênito Faissal.

Com a participação mais ativa de Faruk El-Khatib, que tinha uma visão mais voltada para a publicação de revistas, criou e lançou a Passarola (1975), revista feita especialmente para os voos internacionais da Varig. Em seguida, para conhecer um pouco mais sobre como funcionava a distribuição em bancas, lançou a Colorindo, voltada ao público infantil.

Ao notar o crescimento que o segmento das revistas do gênero erótico apresentavam, o editor Faruk começou a investir forte nesse ramo através de sua primeira iniciativa, ao lançar a Peteca (1976), primeira revista masculina com informações sobre sexo. Feita fora do eixo Rio-São Paulo, ela se tornou um grande sucesso da editora. A revista possuía várias sessões, entre elas uma destinada somente aos quadrinhos, coordenada por Claudio Seto.

A partir daí, notou-se um grande interesse dos leitores pelo segmento dos quadrinhos, o que impulsionou inúmeras publicações com alto cunho erótico até então nunca visto no país. Diante da produção de materiais de qualidade feitos por diversos roteiristas e desenhistas de todo o mundo, a Grafipar teve que ousar para enfrentar a concorrência e, para isso, apostou na produção local.

O regime de ditadura militar pelo qual o país passava aumentou a censura aos editores, distribuidores e demais produtores de quadrinhos. Com isso a editora curitibana teve que usar a criatividade para poder lançar suas publicações, o que não ocorria com frequência em outras editoras. O auge da Grafipar veio em 1981, com uma nova geração de talentosos roteiristas e desenhistas produzindo de forma entusiasmada e que rendeu ótimos títulos.

Faruk El-Khatib
Diretor/editor da Grafipar e atual Diretor/editor da Editora Fama.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s